Suspeito de Matar o indígena Ari Uru Eu Wau Wau é preso pela Polícia Federal de Rondônia
- Luciene kaxinawá
- 13 de jul. de 2022
- 4 min de leitura
Alívio, tristeza e Medo - Esses foram os sentimentos relatados pela família do indígena Ari Uru Eu Wau Wauapós a notícia da prisão do principal suspeito de ter cometido o assassinato do indígena ." Nos sentimos Aliviados por ver que a justiça existe, principalmente para os povos indígenas e esperamos que continue assim, uma parte se sente feliz e a outra parte se sente triste, porque na realidade de que esse assassino levou uma das pessoas mais importantes de nossas vidas, matou um pai, Marido, um filho de alguém, um liderança, um professor." diz uma das sobrinhas de Ari. O irmão de Ari, que foi quem encontrou o corpo, disse em entrevista ajornalista Luciene Kaxinawá que apesar da prisão existe um sentimento de inseguranças. "nós estamos felizes e ao mesmo tempo pensando como vai ser daqui pra frente, vai fica quanto tempo, e depois que ele sair? São essas perguntas na nossa cabeça, não estamos totalmente seguro por parte defender nosso território." desabafa o irmão da vítima.
A identidade do suspeito não foi revelada pela Policia Federal, a prisão preventiva aconteceu na manhã desta Quarta-feira dia 13 de Julho de 2022 durante a Operação URU , dois anos após a morte de da vítima, durante a operação os agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão além da prisão. De acordo com o delegado Rafael Fernandes Souza Dantas, o suspeito é acusado de outros homicídios cometidos na região da terra indígena Uru eu Wau Wau localizada no município de Jarúinterior do Estado de Rondônia a ação foi realizada em conjunto com o Ministério Público Federal. "Recebemos uma ligação do delegado da Federal, que quando pegou o caso, nos garantiu que haveria justiça e que esse caso era a prioridade dele, e que voltaria a falar novamente com a gente quando houvesse resposta." conta a sobrinha de Ari Uru Weu Wau Wau como recebeu a notícia da prisão do suspeito. Entenda o caso
O guerreiro Ari Uru Eu Wau wau, integrava grupo de vigilância indígena contra a exploração ilegal na região e era referência entre os indígenas. Morreu em defesa do seu território, foi encontrado morto na manhã de 18/04/2020, caído na margem esquerda da RO 010, km 12, Jaru/RO, apresentando lesões no pescoço e cabeça. Inicialmente a Polícia Civil de Jaru/RO conduziu as investigações e, conforme relatório parcial apresentado em 2020, sugeriu o declínio de competência para a Justiça Federal, tendo em vista que uma das linhas investigativas levantadas era que o motivo da morte se relacionava com divergências no tocante à venda ilegal de madeiras na reserva indígena. Nesta fase da investigação a autoria do crime ainda era incerta. Após os tramites legais, a competência foi devidamente fixada na Justiça Federal no dia 26/05/2021 e, a partir deste momento, os trabalhos investigados foram conduzidos pela Polícia Federal.
Investigações
Segundo as investigações da polícia federal de Ji Paraná, as lesões, os vestígios e as circunstâncias apontaram para a ocorrência de morte violenta. Como o corpo não demonstrava sinais de autodefesa, uma das linhas investigativas apuradas pela Polícia Federal trata-se da hipótese de o autor do crime ter oferecido substância que, uma vez ingerida pela vítima, deixou ARI desacordado para então iniciar as agressões físicas que culminaram em sua morte. Posteriormente, conduziu o corpo para outro local.
Como medidas iniciais, a Polícia Federal realizou inúmeras diligências de campo, técnicas investigativas especiais, realizou entrevistas, oitivas, interlocução com servidores que atuaram no tempo dos fatos, apreciação minuciosa de todos os elementos probatórios até então colhidos nas primeiras horas após o crime, além de contato com pessoas próximas da vítima visando compreender os últimos passos de ARI. Vale consignar que, em razão da gravidade do caso apurado, a Polícia Federal de Ji-Paraná e o Ministério Público Federal, constantemente, realizam reuniões visando definir estratégias de ação.
Uma das medidas investigativas adotadas na investigação foi a elaboração de laudo pericial indireto produzido pela Polícia Federal, com base nos elementos probatórios juntados no tempo dos fatos, que concluiu que a morte ocorreu entre 01:00 e 03:00 da madrugada do dia 18/04/2020.
Com o avanço das investigações foi possível chegar ao possível autor do crime que, segundo apurado, recaem suspeitas da prática de outros homicídios. Atualmente, encontra-se preso preventivamente pela prática de outro crime de homicídio, ocorrido, aproximadamente, 8 (oito) meses após a morte de ARI. Na operação foi decretada nova prisão preventiva pela 3ª Vara Federal Criminal. A motivação do crime ainda será melhor esclarecido pela Polícia Federal de Ji-Paraná, que está à frente das investigações.
Conforme dispõe o art. 7º do Código de Processo Penal, para verificar a possibilidade de haver a infração sido praticada de determinado modo, a Polícia Federal irá proceder, antes do término das investigações, à reprodução simulada dos fatos visando confrontar as possíveis versões para a dinâmica do crime de homicídio qualificado. A pena para este crime pode chegar até 30 anos (Art. 121, §2º, IV, do Código Penal).
Neidinha Suruí, ativista indígena e fundadora da Kanindé– Associação de Defesa Etnoambiental, acompanhou de perto a luta pela busca de respostas e justiça, junto com a família e lideranças do povo URU EU WAU WAU, também conversou com nossa equipe e disse: “ A prisão me deixa um pouco mais aliviada, pois estamos esperando isto desde 2020, e esperamos que a Justiça seja feita, e que sejam retirados todos os invasores da Terra Indígena Uru-eu-wau-wau. É super importante que a Policia Federal dê continuidade as operações de fiscalização. O Ari era um protetor da floresta, e sua luta tem que continuar. É fundamental que a PF der continuidade as ações de proteção do território, pois o que temos visto é que a grilagem de terra, o roubo de madeira e garimpo tem gerado cada vez mais violência, e precisamos ter paz e sossego.” Afirma a ativista.
E agora ?
Quando perguntado o que se espera a partir de agora o irmão de Ari respondeu: “Que seremos reconhecido e respeitado, porque sem respeito somos sujeito a qualquer discriminação e ameaças.” Diz a liderança indígena.
Já a sobrinha do Guerreiro assassinado diz que espera que de fato a justiça seja feita: “Que haja realmente uma justiça, que ele não saia tão cedo da prisão, apesar de eleter sido preso ainda temos o medo e é o que estamos acostumados a ver, ver pessoas como esse assassino ser preso e poucos dias depois ser solto.” Afirma.
De acordo com a PF, o suspeito cumpre outro mandado de prisão preventiva devido a outra acusação de homicídio supostamente comedido 08 meses após a morte de Ari. As causas dos assassinatos ainda devem ser esclarecidas.






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